quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Herança Bastarda

Parte 1

Agora a chuva cai, o cheiro de barro molhado me faz lembrar minha infância, época boa, viver sem preocupações e sem nenhum amor no peito, um ser egoísta por natureza, e ainda recebia amor incondicional por parte de minha mãe. Hoje minha vida tomou um rumo diferente, diria até que tomou um rumo bastante bizarro, nunca tive dificuldades em conquistar mulheres, mas para ser franco sempre preferi sexo pago. É ilusão o homem achar que não paga para ter sexo com uma mulher, a diferença é que as prostitutas sempre são mais baratas, elas apenas querem dinheiro, não pedem sua liberdade.
Como todo mundo, eu cometi erros em minha vida, mas com certeza o pior foi aos quinze anos, quando por ser um idiota refém dos meus hormônios engravidei uma imbecil que morava vizinho a mim, e como se não bastasse ainda possuía um maldito senso moral e me casei. Eu poderia dizer que foi bom no começo, morar sozinho com uma mulher e fazer muito sexo, mas estaria mentindo, e acabei indo morar com meus pais.
Minha relação com meu pai sempre foi a pior possível e isso não ajudou a melhorar. Minha fantástica esposa e eu dormíamos na sala que era diante a entrada do quarto dos meus pais, seria um luxo naquela casa miserável existir porta ou cortinas, então o meu maldito pai não perdia a chance de mostrar quem era o homem da casa e demonstrava isso transando com minha mãe todas as noites sem se preocupar com nada e sem nenhum pudor. Quando pedi para morar com minha mulher é claro que ele aceitou fazendo algumas exigências, e a primeira condição para que eu pudesse morar na sua casa seria nunca desrespeitar suas regras e uma delas seria que o único homem que poderia fazer sexo ali dentro seria ele, não questionei, pois não tinha onde morar.
Um mês depois de morar lá com minha esposa, minha mãe faleceu por conta de problemas no coração, ainda tive a ingenuidade de achar que meu pai se abalaria, mas como sempre eu estava errado e nada mudou.

Continua...

El Cunha

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Despedida

Estarei por perto, ainda que distante
E estarei presente
No teu passado recente
No teu futuro de ontem.

Nos versos deste poema,
estarei eu por inteiro...
E no ar que ora respiras
Nas páginas ocultas de um livro que nunca escrevi
Na canção que não cantei
Na lição que nunca aprendi.

Estarei por perto, ainda que distante
E quando um dia
O meu silêncio acabar em poesia
Saberás que estou vivo...
E será o bastante.

A. Cavalcante

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

começo

espero voltar àquilo que um dia fui
tentando, ironicamente, esquecer o máximo possível.

as imagens surgem como intrusas
como os que chegam em sua casa sem convite
apenas para beber sua cerveja.

espero ser quem um dia fui,
mas não da mesma forma
posso não repetir os erros
(aqueles que realmente incomodam).

o retorno parece ser necessário
e às vezes é triste
mas facilita o encontro de algo que ajude a morrer um pouco mais tranquilo.

a linearidade da existência é só uma ilusão
algo bem montado
com o mais puro intuito de drenar o que resta em nossas cabeças.

a volta é o real.
o retorno a tudo que você já foi
ou deixou de ser
uma guinada à pureza e à podridão de sua verdadeira mente
à beleza de sua verdadeira vida

ao descanso do pó.


D. Simões

sábado, 22 de janeiro de 2011

Reação Romântica

Amores platônicos
Virgens inalcançáveis
Donzelas perfumadas
Deusas...
Filho do romantismo
És tão ingênuo!

Mulheres frígidas
Puritanas
Nobres e vazias
Mulheres sem vida...
És tão tolo
Filho do romantismo!

Mulheres das ruas
Mulheres que fornicam
Gozam, lambuzam, salivam

Mulheres noturnas
Dos sambas e das orgias
Putas...
És mesmo um grande trouxa,
Filho do romantismo.

Alexandre Indius

domingo, 16 de janeiro de 2011

Na Beira Daquele Bordel

Hoje acordei pensando que estava em casa, pego no meu bolso nenhum cigarro, e ao vasculhar os bolsos percebo que estou sem dinheiro algum, uma mulher me toca, venho perceber que não estou em casa não pelo fato de ter acordado com aquela garota, ela estava com traje de prostituta de bordel, percebo que estou em um bordel, mas não é um bordel qualquer ele é um dos melhores bordeis da minha pequena e pacata cidade de Marietta, o bordel ficava na beira da estrada, lembro que nele tinha alguns letreiros que piscavam não lembro exatamente o nome.
Do meu lado uma garrafa de cerveja pego-a, mas ao tentar beber vejo que ela está vazia..., vou até um dos balcões acho um grande amigo ele me oferece uma bebida e naquele momento eu estava precisando, ele me pergunta...
 - como veio parar aqui?
 - não lembro exatamente, lembro que comecei a beber com uma pessoa, só não lembro quem era esta pessoa. E você como veio parar aqui?
 - também não lembro cara, assim como você lembro que estava com um amigo bebendo e acordei aqui.
                Depois de algum tempo percebo que a pessoa com quem eu estava bebendo seria este amigo com quem falo agora, mas não sabemos como viemos parar ali à beira daquele bordel, apesar de não sabermos pressinto que foi legal, muito legal. Com este amigo vou até à frente do bordel olho para esquerda, nada. Só o vento sombrio, olho para direita, lá está um carro último modelo 1960 batido em um dos hidrantes da cidade que jorrava muita água, percebo que aquele carro é meu, começo a me recordar de muitas coisas, mas não consigo me recordar de como cheguei àquele bordel na beira daquela estrada...

L. Sandes (15 anos; irmão caçula de Filipe)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

1960


Eu sinto saudade de uma época que não vivi.
Eu sinto saudade de uma geração que não é a minha.
Eu sinto saudade de uma juventude que não conheci.
Eu sinto saudade de uma liberdade que nunca tive
Eu sinto saudade de uma cultura que não me pertence
Eu sinto saudades de um mundo diferente.
Eu sinto saudades de possuir um ideal.
Eu sinto saudades do verdadeiro Rock “n” roll.

El Cunha

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

S.O.S POESIA

A poesia anda perdida
Pobre e infértil
Nutrida de paixões plásticas
Farta de nada
Acomodada na Vila de Sossego.
              
A poesia emudeceu
Palavras no papel, apenas
Parábolas de coisa nenhuma
Corpo sem alma
Ausente de emoção.

A poesia agoniza
Necessita do caos, da loucura febril
Suplica uma canção qualquer
Um amor insano que lhe dê vida
E que se faça luz...

A. Cavalcante