domingo, 11 de maio de 2014

Minhas incertezas criaram um labirinto sem saída.

 A poltrona na qual confortavelmente eu deitava abraçado as minhas convicções, fora esquecida por longas caminhadas sem rumo, movidas pelo prazer de seguir sem direção. À deriva, divagando, levado apenas por meus passos fatigados me distanciando cada vez mais do porto em ruínas das certezas absolutas, guiado apenas pelos pontos de interrogação que se multiplicam incessantemente em meu caminho, descobri a impossibilidade de toda certeza e adquiri um nojo que impulsionava uma inevitável fuga para longe desses abismos naturalmente sem fundo que não podem levar a parte alguma. 

Adelfo



domingo, 4 de maio de 2014

Despertando

Ao acordar, são as necessidades artificiais que lhe impulsionam ao bom trabalho. É preciso ser forte o suficiente para aguentar uma provável quebra-de-braço e vencê-la o mais rápido possível, antes das oito de preferência. Ao acordar, todas as decisões de sua vida voltam para você para que possa relembrar de todas aquelas coisas que abdicou para viver de forma saudável e normal. Não há algo semelhante à compaixão nesse momento. Só o embate entre dois opostos, às vezes brutais, que têm por palco de batalha o seu cérebro recém-desperto. Toda a sua vida acaba e inicia como resultado desse embate. Sua casa, seu trabalho e sua posição social são resultados desse embate. A frágil liberdade do instante semi-desperto rapidamente vai cedendo espaço para todas as obrigações e responsabilidades que você, como um bom cidadão respeitável, tem que levar adiante. Então, já aí, tudo está decidido. Exatamente ao acordar. Depois é só automação.

Dhiego

sexta-feira, 2 de maio de 2014

MILLÔR

Poemeu Glorioso


De mim só uma coisa vai ficar:
O busto que eu mesmo fizer
Na tumba que eu mesmo cavar.