segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Velho Safado



"nós fomos à oficina na noite passada?"
"ah é?"
"é."
"o que que as pessoas fizeram?"
"elas falaram. todas as pessoas falaram e falaram.
e falaram."
"e o que é que você fez?"
"eu fui dormir."

sábado, 12 de outubro de 2013

O senhor da guerra não gosta de crianças (?)

Wounded Baby, Aleppo - Tomada



                                Foto: Sebastiano Tomada

Uma criança ferida à espera de tratamento em um dos últimos hospitais que permaneceram em pé em Aleppo (Síria), após combates entre governistas e supostos "rebeldes".

"Não existem anjos em trincheiras"
C. Bukowski

FELIZ DIAS DAS CRIANÇAS!




sábado, 5 de outubro de 2013

Noite Feliz

À noite parece que toda paciência, ou espírito cai fora de nosso alcance.

Não há mais o que fazer: o corpo extenuado arrasta o cérebro para um abscesso de lama e merda; a vala do inferno.

O dia com seus longos e estéreis compromissos já não lhe incomodam. Pelo menos pelas próximas dez ou doze horas. Agora é o momento do êxtase, da redenção, o gozo precoce gerador de uma felicidade natimorta.

É à noite que as ilusões se juntam aos fantasmas para fazerem do seu cérebro ou coração um parque de diversões duvidosas, cujas maiores atrações são revestidas de sadismo e horror.

É a fração de liberdade de um moribundo; a glória semi-sentimental de um pedaço de carne robotizado, lobotomizado e por fim, mas não menos importante, castrado.

Enfim, demos um viva às noites. E a todos os seus jogos e armadilhas. E que nossas mentes apodrecidas consigam suportá-las, aos pedaços, mas com um mínimo de decência e dignidade. Seja lá o que isso signifique.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

In-Van


Em minhas viagens
Superlotadas de poesias e desgraças
Dentro de uma van malacabada
Foi Ivan Marinho quem me abriu os olhos:
“Não preciso de tempo
Para ser livre
Preciso é de coragem
Para ser livre o tempo todo”.

Alexandre Cavalcante

A poesia é o tempo todo
Erickson Luna


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cruz

   E então, sem um motivo aparente que servisse para explicar seu novo hábito, Souza chegou em casa no seu horário de costume, trazendo consigo o pão comprado naquela padaria de esquina, que é mais caro, mas que vale a pena, pois hoje em dia é difícil encontrar um bom pão francês, daqueles que além da casca têm algo de miolo. Junto do pacote dos pães e do queijo coalho veio uma nova aquisição. Algo simples, mas o suficiente para deixar sua esposa em polvorosa: depois de anos de casado e de promessas feitas, e cumpridas a duras penas, Souza resolveu chegar em casa com uma caixinha vermelha, com vinte cigarros em seu interior. Uma daquelas que tem o nome semelhante ao seu. A princípio, a mulher não compreendeu, mas após uma pausa não apenas continou sem compreender, como iniciou intensos ataques a seu senso de responsabilidade, a sua falta de domínio sobre impulsos adolescentes e estúpidos e, enfim, ao que restava de sua moral. Enquanto ouvia o matraquear da esposa, Souza abriu a carteira e com o isqueiro, também recém-comprado, acendeu o primeiro cigarro em anos. A primeira tragada lhe deixou a sensação de um contato mais íntimo com a morte e, a bem da verdade, ela não lhe pareceu assim tão ruim. A cada vez que inalava e expelia aquela fumaça, com mais de 4.700 substâncias tóxicas, se sentia mais puro, como se todo o sentimento de frustração e raiva que lhe atormentara durante todos os dias daquela semana estivessem indo embora junto com as cinzas que se acumulavam num copo improvisado como cinzeiro. Finalmente concluiu, ou pensou que o tinha, que a vida não passava de um amontoado de pedaços disformes colados à força uns aos outros e, apesar de ter aprendido na TV que o cigarro faria mal a sua saúde, acendeu mais outro e tragou com ainda mais prazer. Desta vez, inalou com a plena consciência de que a morte o esperava com uma certa ansiedade e por mais que no fundo sentisse algum receio, percebeu que a recíproca, nesse caso, era mais do que verdadeira.