quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Uma nova fase

Um novo dia começa, este realmente seria diferente. Após 24 anos de inércia vivendo a mercê dos pais é chegado o grande momento social, o primeiro dia de trabalho. Segunda feira, 6 horas da manhã sua mãe telefona, ele atende ainda com voz de sono e ouve um bom dia super animado e uma recomendação para não se atrasar, ele desliga o telefone e reflete o porquê de tanta felicidade por parte da mãe - Será que ela estaria animada por eu estar crescendo ou apenas feliz pelo fato de ter menos um filho em casa? Talvez assim ela agora faça sua tão esperada sala de ginástica no meu quarto. Tomou banho, se vestiu, olhou para o velho tênis All Star e pensou – hoje não amigo, hoje não. Penteou os cabelos, que por muitos anos ficaram sem ser cortados, e fez a barba, ao olhar-se no espelho não se reconheceu, mas por alguma razão se lembrou do pai.
            Ao sair de casa não pôde evitar pensar - para onde estariam indo tantas pessoas às 7 horas da manhã - e concluiu que ao mesmo destino que ele: “trabalhar”. Respirou fundo e continuou até chegar ao prédio dos correios, onde a partir daquela data seria sua segunda casa, sentou na sua cadeira e às 8 horas em ponto começou seu expediente. Em pouco tempo já se podia ver em sua frente uma grande fila de pessoas querendo informações, todas impacientes empurrando umas às outras, falando alto e etc. Jaime baixava a cabeça e lembrava do seu passado recente e de suas ressacas nas segundas de manhã, onde sua maior preocupação seria limpar o vômito no banheiro. Aos poucos, sentiu uma tristeza imensa dentro de si, olhou para o relógio e ainda faltavam 8 horas para o fim do expediente, ele achou que não aguentaria.
            Às 18 horas chegou a tão esperada hora de ir embora. Seu corpo estava acabado, sua cabeça doía, sua mente estava cansada. Queria tudo menos ver uma correspondência em sua frente, no caminho de casa ele viu um bar, seus olhos brilharam e logo sentou-se e pediu uma cerveja. Ao beber aquele líquido gelado como por milagre tudo que estava o chateando desapareceu e sentiu-se aliviado. Por volta das 23 horas ele voltou para casa deitou-se e dormiu, para no outro dia começar tudo de novo.

Os Caras        

domingo, 31 de julho de 2011

Maurício Baia

"É tudo isso e nada disso"

Release

Ele não vai pegar leve. Passou pela escola do iê-iê-iê realista de Raul, passou pela escola da densidade psicológica de Dostoievski, pela escola Bob Dylan, com suas letras expansivas e visionárias, passou por essas e outras célebres escolas sendo sempre seu melhor e antiexemplar aluno: soube aprender e sair delas, pois a verdadeira função das escolas é deseducar, abrir a possibilidade de o sujeito se tornar, finalmente, um analfabeto, como diria de si mesmo Tom Zé - aliás, outra de suas escolas. Deseducado, analfabeto: criador. E aí pode-se dizer que há um artista.   

O artista Baia é uma combinação desses e outros artistas, e ao mesmo tempo é irredutível a cada um deles. Com Raul, ele aprendeu que "o rock pode ser a melhor música pra se dizer um monte de coisas"; é, como Raul e toda a tradição barroca da Bahia, excessivo; e crítico, irônico, observador mordaz dos estranhos valores da nossa sociedade de consumo. Como Bob Dylan, além do timbre anasalado, ele tende à prosa: gosta de narrar, suas letras parecem querer transbordar a melodia. E, como Tom Zé, sabe contar estórias como ninguém, tem um talento delicioso para o humor, tem o timing cômico de um verdadeiro ator.           

Mas Baia, como eu disse, é tudo isso e nada disso. É uma outra coisa que só ouvindo ou vendo, mas a gente pode se aproximar mais um pouquinho. Ele canta o amor ao avesso: a mulher que tem ciúmes até do cachorro que o lambeu, que quer que ele se lembre até do que ela se esqueceu de lhe dizer, a outra que quer corrigir sua vida com caneta vermelha, quer arrancar suas páginas e tem mania de colocar pingos em ipsilones. Ele canta Deus a torto - o vazio da "falta de Pai eterno" - e a direito: "em tudo o que há, Ele é". "Agora é a hora da falácia", ele diz, iniciando seu show, como num antiapocalipse.     

A inteligência e o rock. A comunhão, que reúne, e a ironia, que separa. Os shows de Baia, quem já viu sabe do que estou falando, são festas para Apolo e Dionísio, ritos para a cabeça e o corpo. Depois da trajetória com os Rockboys (banda em que tocava o guitarrista e talentoso compositor Tonho Gebara, parceiro de Baia em algumas de suas melhores canções, e lamentavelmente falecido no começo desse ano), Baia tem intensificado as parcerias com Gabriel Moura, ex-Farofa Carioca e um dos melhores compositores da sua geração. Soma de forças que vem rendendo canções vigorosas e precisas, como "Fulano" e "Tu", respectivamente, entre outras.    

Dono de uma trajetória que já conta com cinco discos, inúmeros shows e um público fiel, Baia está a ponto de bala, com a faca e o queijo na mão. Às suas canções mais conhecidas, como "Na fé", "O comedor de calango e o gerente da multinacional", "Eus", "Bicho homem", "Baia e a doida", têm se juntado novas composições - como as acima citadas "Fulano"
e "Tu", além de "Habeas corpus" e "TV Cultura", que ainda não foram gravadas, mas já vêm sendo apresentadas em seus shows - que prometem um belo novo disco. "Agora é a hora da falácia", ele anuncia. Mas a verdade é que esse cara é bom - e não é candidato a nada. 

 Francisco Bosco, julho 2004 





quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hedonismo (Aliba)

Faça tudo o que você quiser fazer
Beba tudo aquilo que você aguentar
Não se importe nunca com o que os outros vão dizer
Para não se arrepender beba o que quiser beber
Vá de encontro a“certos conceitos morais”
Na vida só importa o que você faz
Junte a sua galera e vá a um cabaré
Lá estaásempre cheio de mulher
Preste atenção no que eu vou dizer
Já estou bebum mas tem muita cerveja pra beber
Eu sei o que eu faço e bebo até cair e mesmo assim não faço bobagem por aí
Tem que ser macho pra pode beber pois o álcool não tem culpa
Do que você vai fazer
Faça o que quiser fazer
Beba o que quiser beber
Fume o que quiser fumar
Diga o que quiser dizer
Mas assuma o que vai fazer

Cunha ,Felipe e Gustavo 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Inadaptável

Não me enquadro em padrões sociais
Não há lugar comum para mim no mundo
Nunca serei ninguém normal,
Não do tipo com emprego, casa, TV a cabo, família...
Não leio nada
Não escrevo nada
Não faço música
Não dou risada quando estou sozinho em casa
Não tenho namoradas
Apenas amores abortados
E fantasmas...
Choro em dramas de 5ª
E quando ouço “longe do meu lado”
Gosto de Beatles, mas perdi os meus CDs
Detesto 12 de Junho
Não me enquadro em padrões sociais
Não sou artista
Sou Fulano, sou Sicrano, sou Ninguém
Morto-vivo interiorano
Eis-me...

 Alexandre Cavalcante

domingo, 5 de junho de 2011

querida

a bebida é a massagem da alma
não adianta dizerem o contrário
sempre foi

não há como negar os inúmeros benefícios trazidos por um copo de cerveja
ou de vinho

o mundo e a maravilhosa sociedade apenas ferram o indivíduo
e começam cedo
não há melhor lugar pra isso que a escola
é lá onde você começa a ser castrado aos poucos sem perceber
e em vários casos ainda paga por isso


a bebida apenas serve ao seu espírito
consola, aplaude, discute e conta piadas
lhe tira de circulação de um lugar onde a maioria não se importa
ela te salva

salva a sua mente, seu coração, sua sanidade
embora, às vezes, acabe com o seu corpo.




sábado, 28 de maio de 2011

Em meio a tantos gênios

apenas mais um zero à esquerda
em um mundo onde tudo e todos têm uma função.
alguns podem achar frustrante não ser nada para os outros,
não ser nada para si também importa.
as moscas que vêm chegando não trazem nenhum bem,

e realmente não há nada a ser feito...
alguém saberia como ser diferente?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Apelo (Música)

Eu quero fazer uma boa ação.
Pra apagar o mal que está guardado no meu coração.
As dores e as frustrações que eu fiz você passar em vão.

Os sonhos se despedaçaram, apenas na ilusão.
De saciar o meu ódio, minha luxúria e minha ambição.
A homem nenhum me ajoelho e nem peço perdão.

Somente a Deus baixo minha cabeça.
E rezo por salvação.
Mesmo sabendo não merecer a sua compaixão.

El Cunha