Mais um dia que já começa com aquela sensação constante de esgotamento físico e mental. O relógio da mesa de cabeceira avisa que é hora de acordar e encarar o matadouro. A rotina da morte diária será repetida em mais um longo e interminável dia. O jeito é levantar, tomar um banho e uma xícara de café ralo e rápido para não perder o coletivo que, invariavelmente, está tão cheio que as pessoas mais se parecem com sardinhas enfiadas dentro de uma lata. Homens e mulheres - ou o que restou deles - que mal acordaram de uma noite, também, mal dormida e já se acotovelam em busca de algo parecido com uma chance. Que saem de suas casas com o estômago e o cérebro quase vazios, mas com o firme propósito de conquistar seu pedaço de dignidade enquanto, na verdade, contribuem para o crescimento dos patrocinadores de sua fome e miséria. É a honrosa hora de ir para o trabalho. Todos seguem contentes, satisfeitos por saberem, no fundo de suas almas, que a recompensa um dia chegará. Dia a dia a procissão se repete; é uma cena triste e estranha. Os bois continuam seguindo para o abate.
sábado, 13 de abril de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
Espaço reservado para um momento Graciliânico.
( I )
E o homem ergue sua mão ensangüentada a procura de uma ajuda que não virá. Leva várias estocadas em suas costas. As incontáveis facadas dilaceram quase por completo aquela parte de seu corpo. Ele limpa sua “peixeira” de 12 polegadas nas roupas de grife daquele homem que agoniza. Um homem que tanto se gabava. Abastado. Raça superior. Agora ali, com a cara numa valeta podre de um beco fétido, como qualquer outro verme que habita este planeta.
ricardo silva
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Velho Safado
Solucionando

Van Gogh cortou a própria orelha e
a deu para uma
prostituta
que com
nojo
extremo
atirou-a ao vento.
Van, putas não querem
orelhas
elas querem
dinheiro.
Acho que agora sei por que
você foi um grande
pintor: você
não compreendia
as outras coisas da vida.
Charles Bukowski
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Allen Ginsberg
Canção
O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -
sai para fora do coração
ardendo de pureza -
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contigo
quando negado:
o peso é demasiado
- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.
Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Jack Kerouac (1922-1969)
Jack Kerouac nasceu em Lowell, Massachusetts, em 12 de março de 1922; era o mais novo de três filhos de uma família de origem franco-canadense. Começou a aprender inglês apenas aos seis anos de idade, estudou em escolas católicas e públicas locais e, como jogava futebol americano muito bem, ganhou uma bolsa para a Universidade de Columbia, em Nova York. Nesta cidade conheceu Neal Cassady, Allen Ginsberg e William S. Burroughs. Largou a faculdade no segundo ano, depois de brigar com o técnico de futebol, foi morar com uma ex-namorada, Edie Parker, e juntou-se à Marinha Mercante em 1942 – dando início às jornadas infindáveis que se estenderiam por boa parte de sua vida.
Em 1943 alistou-se na Marinha, de onde foi dispensado por razões psiquiátricas. Entre uma e outra viagem, voltava para Nova York e escrevia o seu primeiro romance, The Town and the City (Cidade pequena, cidade grande), publicado em 1950, sob o nome de John Kerouac. Este primeiro trabalho era fortemente influenciado pelo estilo do escritor norte-americano Thomas Wolfe e foi bem recebido.
Em abril de 1951, entorpecido por benzedrina e café, inspirado pelo jazz, escreveu em três semanas a primeira versão do que viria a ser On the Road. Kerouac escrevia em prosa espontânea, como ele chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. O manuscrito foi rejeitado por diversos editores. Em 1954, começou a interessar-se por budismo e, em 1957, On the Road foi finalmente publicado, após inúmeras alterações exigidas pelos editores. O livro, de inspiração autobiográfica, descreve as viagens através dos Estados Unidos e México de Sal Paradise e Dean Moriarty. On the Road exemplificou para o mundo aquilo que ficou conhecido como a "geração beat" e fez com que Kerouac se transformasse em um dos mais controversos e famosos escritores de seu tempo – embora em vida tenha tido mais sucesso de público do que de crítica e embora rejeitasse o título de “pai dos beats”.
Seguiu-se a publicação de The Dharma Bums (Os vagabundos iluminados) – um romance com franca inspiração budista –, The Subterraneans (Os subterrâneos) em 1958, Maggie Cassidy, em 1959, e Tristessa, em 1960. A partir daí, Kerouac tendeu à direita, politicamente: criticava os hippies e apoiou a guerra do Vietnã. Publicou ainda Big sur e Doctor Sax, em 1962, Visions of Gerard, em 1963, e Vanity of Duluoz,em 1968, entre outros. Visions of Cody, considerado por muitos o melhor e mais radical livro do autor, só foi publicado integralmente em 1972. Ele morreu em St. Petersburg, Flórida, em 1969, aos 47 anos, de cirrose hepática. Morava, então, com sua mãe e sua mulher, Stela. Escreveu ao todo vinte livros de prosa, e 18 de ensaios, cartas e poesia.
Fonte: www.lpm.com.br
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
epifania
comer para nada
estudar para nada
pensar para nada
escrever para nada:
Eis o sentido de tudo.
estudar para nada
pensar para nada
escrever para nada:
Eis o sentido de tudo.
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