quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Velho Safado

Solucionando



Van Gogh cortou a própria orelha e
a deu para uma
prostituta
que com
nojo
extremo
atirou-a ao vento.
Van, putas não querem
orelhas
elas querem
dinheiro.
Acho que agora sei por que
você foi um grande
pintor: você
não compreendia
as outras coisas da vida.

Charles Bukowski

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Drummond

À uma puta pela manhã: "Obrigado. O essencial é foder."

Allen Ginsberg

Canção














O peso do mundo 
         é o amor. 
Sob o fardo 
       da solidão, 
sob o fardo 
      da insatisfação 

       o peso 
o peso que carregamos 
        é o amor. 

Quem poderia negá-lo? 
          Em sonhos 
nos toca 
      o corpo, 
em pensamentos 
        constrói 
um milagre, 
         na imaginação 
aflige-se 
         até tornar-se 
humano - 

sai para fora do coração 
         ardendo de pureza - 

pois o fardo da vida 
          é o amor, 

mas nós carregamos o peso 
           cansados 
e assim temos que descansar 
nos braços do amor 
          finalmente 
temos que descansar nos braços 
           do amor. 

Nenhum descanso 
        sem amor, 
nenhum sono 
        sem sonhos 
de amor - 
           quer esteja eu louco ou frio, 
obcecado por anjos 
           ou por máquinas, 
o último desejo 
          é o amor 
- não pode ser amargo 
         não pode ser negado 
não pode ser contigo 
           quando negado: 

o peso é demasiado 
          - deve dar-se 
sem nada de volta 
         assim como o pensamento 
é dado 
         na solidão 
em toda a excelência 
         do seu excesso. 

Os corpos quentes 
          brilham juntos 
na escuridão, 
          a mão se move 
para o centro 
        da carne, 
a pele treme 
          na felicidade 
e a alma sobe 
         feliz até o olho - 

sim, sim, 
           é isso que 
eu queria, 
          eu sempre quis, 
eu sempre quis 
         voltar 
ao corpo 
         em que nasci.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Jack Kerouac (1922-1969)

 
Jack Kerouac nasceu em Lowell, Massachusetts, em 12 de março de 1922; era o mais novo de três filhos de uma família de origem franco-canadense. Começou a aprender inglês apenas aos seis anos de idade, estudou em escolas católicas e públicas locais e, como jogava futebol americano muito bem, ganhou uma bolsa para a Universidade de Columbia, em Nova York. Nesta cidade conheceu Neal Cassady, Allen Ginsberg e William S. Burroughs. Largou a faculdade no segundo ano, depois de brigar com o técnico de futebol, foi morar com uma ex-namorada, Edie Parker, e juntou-se à Marinha Mercante em 1942 – dando início às jornadas infindáveis que se estenderiam por boa parte de sua vida.
Em 1943 alistou-se na Marinha, de onde foi dispensado por razões psiquiátricas. Entre uma e outra viagem, voltava para Nova York e escrevia o seu primeiro romance, The Town and the City (Cidade pequena, cidade grande), publicado em 1950, sob o nome de John Kerouac. Este primeiro trabalho era fortemente influenciado pelo estilo do escritor norte-americano Thomas Wolfe e foi bem recebido.
Em abril de 1951, entorpecido por benzedrina e café, inspirado pelo jazz, escreveu em três semanas a primeira versão do que viria a ser On the Road. Kerouac escrevia em prosa espontânea, como ele chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. O manuscrito foi rejeitado por diversos editores. Em 1954, começou a interessar-se por budismo e, em 1957, On the Road foi finalmente publicado, após inúmeras alterações exigidas pelos editores. O livro, de inspiração autobiográfica, descreve as viagens através dos Estados Unidos e México de Sal Paradise e Dean Moriarty. On the Road exemplificou para o mundo aquilo que ficou conhecido como a "geração beat" e fez com que Kerouac se transformasse em um dos mais controversos e famosos escritores de seu tempo – embora em vida tenha tido mais sucesso de público do que de crítica e embora rejeitasse o título de “pai dos beats”.
Seguiu-se a publicação de The Dharma Bums (Os vagabundos iluminados) – um romance com franca inspiração budista –, The Subterraneans (Os subterrâneos) em 1958, Maggie Cassidy, em 1959, e Tristessa, em 1960. A partir daí, Kerouac tendeu à direita, politicamente: criticava os hippies e apoiou a guerra do Vietnã. Publicou ainda Big sur e Doctor Sax, em 1962, Visions of Gerard, em 1963, e Vanity of Duluoz,em 1968, entre outros. Visions of Cody, considerado por muitos o melhor e mais radical livro do autor, só foi publicado integralmente em 1972. Ele morreu em St. Petersburg, Flórida, em 1969, aos 47 anos, de cirrose hepática. Morava, então, com sua mãe e sua mulher, Stela. Escreveu ao todo vinte livros de prosa, e 18 de ensaios, cartas e poesia.
 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

epifania

trabalhar para nada
comer para nada
estudar para nada
pensar para nada
escrever para nada:
Eis o sentido de tudo.