sexta-feira, 8 de abril de 2011

Consequências de uma noite (Música)

Me Acordaram retirando meu sangue
Eu estava dentro de um hospital
Não sabia o que tinha acontecido
Mas eu sabia que estava mal

Então perguntei a enfermeira
O que teria me acontecido
Ela falou meu rapaz
Seria melhor se você tivesse sumido

Tem muita gente querendo você
Eles querem acabar com você
Tem tanta gente querendo te ver
E provavelmente vão querer te bater

Depois de um tempo comecei a lembrar
Da confusão que eu arrumei em um bar
Tinha bebido e pouco fazia sentido
Mas já lembrava o que tinha acontecido

Eu precisava fugir,
Fugir daquele hospital
Depois do que eu tinha feito
Provavelmente me daria mal
  
El Cunha

terça-feira, 29 de março de 2011

Era uma vez (Música)

Ele nasceu em alagoas 1986, ele nasceu em alagoas em 1986, arrumou uma guitarra e não ouviu seus pais, saiu pelo mundo e decidiu tocar blues.
Conheceu uma garota e perguntou o nome dela, se deslumbrou com aquela garota e quis saber o nome dela, ela tirou uma gaita do bolso e o olhou diretamente e disse deixe de conversa e tente me acompanhar em um blues.
Os dois ficaram tocando pareciam um só, duas almas eternamente ligadas no ritmo do blues.
A multidão se aproximou e começaram a ouvir, eles não conheciam aquele som mais começaram a curtir, era fascinante a energia que vinha daquela canção era forte e vibrante se sentia no coração parecia um lamento de mil almas acorrentadas, dai por diante eles entenderam o blues.
EL Cunha

Anonimalização

Serei aquele que passou pela vida desapercebido
Invisível; Insípido; Incolor!

Alguém que não amou,
Senão a ideia romântica de amor,
Nem foi amado.

Aquele que tragado pela paixão,
Da vida, nem gozo nem luxo,
Tormentos apenas levou.

Incompleto; Incerto;
Anônimo de si e do mundo...

Um livro de páginas desbotadas
Sem créditos
Sem méritos
Sem palavras:

Narrativa fiel
De uma existência irremediávelmente
vazia e apagada.

Alexandre Indius

terça-feira, 15 de março de 2011

Por um direito essencial

O direito a fugir da realidade por todos os meios possíveis deveria ser autorizado e subsidiado pelo Estado, já que é ele próprio um dos grandes causadores de problemas psicológicos e sociais. Amanhã nossos grandes dirigentes deveriam fazer pronunciamento no Jornal Nacional anunciando o lançamento do Bolsa LSD: para que todo cidadão de bem possa esquecer que nasceu no lugar errado.

terça-feira, 8 de março de 2011

O trabalho dignifica o homem... o ócio o deixa feliz.

acordado

as horas durante a noite podem ficar muito mais lentas que a média e isso é um problema. é neste momento que você vai ficar sozinho pensando em todas as besteiras que fez ou deixou de fazer durante o dia e a semana e os meses e os anos. eu posso lhe garantir que isso leva qualquer um à beira da loucura. todo esse passado não vivido vem acumulado em grandes blocos de pedra e merda que chegam como uma porrada direto na sua cabeça, uma daquelas dignas dos velhos boxeadores. e eu te digo mais uma vez: pode não ser legal. não há o que fazer com toda a massa disforme e confusa a não ser arrumar um lugar para ela na cama, ao seu lado, depois de tentar expulsá-la várias vezes do quarto. a bendita televisão irá se tornar uma aliada no seu desespero, mas nem ela e nenhum livro desinteressante o suficiente ou mesmo as sacanagens habituais irão resolver. infelizmente, para você, ela chegou com força e determinação e não vai largá-lo ou sequer deixar que faça (ou seja) algo nesse momento. o jeito é espremer e derreter o cérebro durante toda a noite pensando em como tantas coisas poderiam ser diferentes, se lamentando e se redimindo em seguida e começando tudo de novo cinco minutos depois. não adianta chorar. você poderia fazer melhor uso da sua incapacidade. gênios e artistas e patifes metidos à besta trabalham e fingem que pensam nesse momento. mas não você. afinal, é apenas um qualquer que passa a noite sonhando dormir e tentando consolar a si próprio do seu fracasso, do fracasso das pílulas, dos médicos, da tv e de todo o resto do mundo. já não vale mais a pena. talvez nunca tenha valido.


D. Simões

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nunca olhe para trás

Andava pela rua em uma sexta à noite, sem direção exata. Acendi um cigarro pra passar o frio, meus pés me matavam, a dias tinha encontrado um sapato velho na rua, não era meu número mas mesmo assim resolvi levá-lo pra casa. Havia tirado a palmilha, não resolveu muito, era apertado e sentia o chão quando pisava, meus dedos cheios de calos e calcanhares também. Quase desisti dele, mas decidi lutar, já havia derrotas demais na minha ficha e não seria derrotado por esse par de sapatos. Apesar de andar com dificuldade, insistia em calçá-lo. Acendi outro cigarro e mais outro e assim por diante, eles iam acabando e eu junto com eles, assim é a vida, sempre há algo em troca, pelo menos morreria por uma coisa que gosto. Passava em frente a uma casa grande e velha, parecia um lugar bonito apesar das más condições, não era muito tarde, olhei para a frente daquela casa, ela ostentava poder. Por um momento pensei em seu tempo de glória e em quem morava ali. Desvencilhei e continuei andando. Meus cigarros acabaram. Olhei novamente havia pouca luz, mas dava pra perceber que havia cadeiras e mesas, talvez fosse um depósito agora ou haveria ali uma festa. Pensei em que tipo de pessoas estariam nessa comemoração. Continuei andando e meus pés e cigarros continuavam me matando. Mais alguns passos até aquela voz chegar aos meu ouvidos.
 Ei! Ei!
 Exitei em olhar, continuei andando.
 Ei, você de casaco jeans.
Olhei para trás, vi que era comigo, mas não dei atenção, continuei andando. Os gritos continuaram. Voltei lentamente.
 Sim.
 Gostaria de ganhar uma grana fácil?
 O que tenho que fazer?
 Me ajudar a guardar umas coisas.
 Que tipo de coisas?
 Cervejas, pô-las nos freezers.
 É só colocá-las aí e nada mais.
 Terei que sair, quando chegar te pago. Ele disse.
 Ok. respondi
Comecei a guardar as cervejas, os sapatos me matando, resolvi tirá-los. Cervejas, cervejas, mesas, cadeiras, pouca luz, árvores. Nada mais, esse era o cenário. Todas aquelas cervejas, como queria um cigarro. As cervejas estavam quente, resolvi abrir uma, não havia abridor tive que usar os dentes, não tinha muita coisa na vida mas tinha dentes fortes e me servia de vez em quando. Tomei um gole, era ruim, mas não desisti e segui em frente. Parei de guardá-las. Enfim a segunda a terceira e assim por diante. Depois de uma hora meu contratante chegou, eu já estava bêbado e sem sapatos, perguntei se ele tinha cigarro.
 Que merda é essa? Ele respondeu.
 Não respondi.
 Levante- se! ele gritou.
 Suma daqui seu vagabundo safado, deveria cobrar pelas cervejas.
Não respondi, deixei os sapatos, não aguentava mais eles. Andei pelo escuro em direção à saída. Ele ainda resmungava. Peguei uma baga de cigarro no chão acendi e continuei andando e pensando quem estaria naquela festa.

H. Almeida.